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Todos Zombavam de Erika, de 31 Anos, na Academia — Mas Quando a Polícia Abriu um Quarto Secreto em Sua Casa, o Que Encontraram Deixou Todos em Choque!

ProfessorProfessorStory EditorOctober 17, 202610 min read
Todos Zombavam de Erika, de 31 Anos, na Academia — Mas Quando a Polícia Abriu um Quarto Secreto em Sua Casa, o Que Encontraram Deixou Todos em Choque!
Mystery & Suspense#25

PARTE 1 — A Mulher Que Parecia Não Envelhecer

Quando os policiais chegaram à casa de Erika, ninguém imaginava o que estava escondido atrás daquela velha estante de madeira.

A jovem tinha apenas trinta e um anos, mas havia algo em sua vida que despertava a curiosidade de todos.

Na academia, as pessoas comentavam sobre sua força extraordinária.

Na vizinhança, ninguém compreendia por que caminhões entregavam caixas misteriosas em sua residência durante a madrugada.

E agora, um cheiro estranho havia levado as autoridades até sua porta.

Enquanto os bombeiros examinavam um cômodo nos fundos da casa, uma investigadora percebeu pequenas marcas no chão.

Parecia que a estante havia sido movimentada várias vezes.

— Erika, o que existe atrás desse móvel? — perguntou.

A mulher franziu a testa.

— Nada. Pelo menos, é o que eu pensava.

A investigadora aproximou a lanterna.

Naquele momento, Erika ainda não sabia que sua própria história estava prestes a se transformar no maior mistério de sua vida.

Tudo começou algumas semanas antes, em São Paulo.

Erika tinha trinta e um anos e trabalhava como instrutora em uma academia.

Era disciplinada, dedicada e apaixonada por exercícios físicos.

Treinava regularmente e gostava de participar de eventos esportivos.

Sua força chamava atenção.

Mas nem todos a admiravam.

Certa manhã, enquanto Erika realizava seu treinamento, dois frequentadores começaram a rir.

— Você viu quanto peso ela consegue levantar? — comentou um deles.

— Parece até coisa de filme — respondeu o outro.

Uma pessoa pegou o celular e tentou fotografá-la sem autorização.

Erika percebeu.

— Por favor, não tire fotos minhas.

O homem abaixou o aparelho, constrangido.

Rafael, o gerente da academia, aproximou-se.

— Aqui ninguém tem o direito de fotografar os outros sem permissão.

Os dois se afastaram.

Rafael olhou para Erika.

— Está tudo bem?

— Estou acostumada com os comentários.

— Isso não significa que precise aceitar.

Ela sorriu.

— Obrigada, Rafael.

Ele tinha trinta e seis anos e conhecia Erika havia quase cinco.

Sempre admirara sua dedicação.

Mas recentemente havia percebido algo diferente.

Erika parecia preocupada.

Chegava à academia cansada e verificava o celular constantemente.

— Está acontecendo alguma coisa em casa? — perguntou.

Ela hesitou.

— Só alguns problemas com umas entregas.

— Entregas?

— Caixas antigas. Documentos de um conhecido da família.

Rafael percebeu que ela não queria falar mais.

E decidiu não insistir.

Erika morava em um sobrado antigo, localizado em um bairro tranquilo.

A casa pertencera a parentes de sua mãe adotiva, Marta, e estava desocupada havia alguns anos.

Quando Erika precisou de um lugar para morar, Marta permitiu que ela se instalasse ali.

A residência era espaçosa, mas possuía cômodos antigos que raramente eram utilizados.

Um deles ficava nos fundos.

Era um antigo escritório, repleto de móveis de madeira e prateleiras empoeiradas.

Alguns meses antes, um conhecido da família chamado Dr. Vicente Salgado havia pedido autorização para guardar temporariamente documentos naquele espaço.

Vicente tinha sessenta e oito anos.

Era um cientista aposentado que havia trabalhado durante décadas em instituições privadas de pesquisa.

Erika o conhecia desde criança.

Ele costumava visitar Marta e, durante muitos anos, havia ajudado a família em situações difíceis.

Por isso, quando pediu para utilizar o antigo escritório como depósito, Erika não desconfiou.

— São arquivos de um centro de pesquisa que encerrou suas atividades — explicou Vicente.

— E por que precisam ficar aqui?

— O local onde estavam armazenados será desocupado. É apenas uma solução temporária.

Erika concordou.

Mas havia uma condição.

— Não quero materiais perigosos dentro de casa.

Vicente sorriu.

— São apenas documentos e equipamentos antigos. Nada com que precise se preocupar.

Naquele momento, ela acreditou nele.

As primeiras caixas chegaram numa quinta-feira, pouco depois da meia-noite.

Erika acordou com o barulho de um veículo estacionando.

Quando abriu a porta, encontrou dois funcionários descarregando grandes embalagens.

Nenhuma apresentava identificação externa.

— Quem enviou isso? — perguntou.

Um dos entregadores mostrou uma autorização.

— A entrega está registrada em nome do doutor Vicente Salgado.

Erika reconheceu o nome.

— Podem deixar na garagem.

Na manhã seguinte, Vicente apareceu para organizar o material.

Ela perguntou por que as entregas aconteciam tão tarde.

— É o horário disponível da transportadora — respondeu ele. — São arquivos confidenciais, por isso as caixas não têm identificação pública.

Erika achou a explicação incomum.

Mas Vicente era um amigo antigo de Marta.

Não havia motivo imediato para imaginar algo grave.

Os dias passaram.

Outras caixas chegaram.

Depois mais algumas.

Em pouco tempo, as entregas começaram a acontecer várias vezes por semana.

Vicente vinha regularmente, transferia os volumes para o escritório e mantinha a porta trancada.

Erika começou a se incomodar.

— Doutor, quanto tempo vai precisar desse espaço?

— Mais algumas semanas.

— O senhor já disse isso antes.

Vicente ajeitou os óculos.

— Estamos terminando a organização. Tenha paciência.

Ela concordou, embora estivesse cada vez menos satisfeita.

Marta, sua mãe adotiva, tinha cinquenta e nove anos.

Morava em outro bairro e conversava com Erika quase todos os dias.

Quando soube que Vicente estava utilizando o sobrado para guardar arquivos, ficou em silêncio.

— Mãe? — chamou Erika pelo telefone.

— Estou ouvindo.

— Você sabia dessas caixas?

— O Vicente comentou alguma coisa.

— E por que ele precisa guardar tantos documentos aqui?

Marta demorou a responder.

— Ele sempre trabalhou com pesquisas importantes.

— Mas isso não explica tudo.

A mãe suspirou.

— Erika, se alguma coisa estiver incomodando você, peça para ele retirar o material.

A jovem estranhou o tom de sua voz.

— Aconteceu alguma coisa?

— Não, minha filha.

Mas, antes de desligar, Marta perguntou:

— Ele chegou a mexer na estante grande do escritório?

Erika franziu a testa.

— Que estante?

— Aquela que fica encostada na parede dos fundos.

— Acho que não. Por quê?

Houve uma pausa.

— Por nada. Só estava lembrando da casa.

Erika terminou a ligação desconfiada.

Não compreendia por que a mãe parecia tão preocupada com um móvel antigo.

Enquanto isso, os comentários sobre Erika aumentavam na academia.

Algumas pessoas diziam que ela nunca faltava aos treinos.

Outras exageravam, afirmando que jamais a tinham visto doente.

Uma fotografia antiga, encontrada nas redes sociais, começou a circular entre os frequentadores.

Nela, Erika aparecia alguns anos mais jovem.

Sua aparência havia mudado pouco.

Isso foi suficiente para alimentar brincadeiras sobre sua idade e sua força.

Rafael interrompeu uma dessas conversas.

— Vocês estão transformando a vida de uma pessoa em fofoca.

Erika tentou ignorar a situação.

Mas sua preocupação verdadeira estava em casa.

Naquela semana, havia percebido um cheiro desagradável perto do escritório.

No começo, imaginou que fosse um problema de umidade.

Depois, o odor ficou mais forte.

Ela enviou uma mensagem para Vicente.

“Precisamos conversar. Está saindo um cheiro estranho do depósito.”

A resposta chegou horas depois.

“Vou verificar. Não mexa nos arquivos até eu chegar.”

Erika olhou para o celular.

Por que ele parecia tão preocupado com aqueles documentos?

Na madrugada seguinte, um entregador estacionou novamente diante da residência.

Davi trabalhava naquela rota havia algumas semanas.

Estava acostumado a entregar materiais de escritório, móveis e encomendas comerciais.

Mas aquelas caixas chamavam sua atenção.

Eram sempre grandes.

Não tinham identificação visível.

E as entregas aconteciam em horários incomuns.

Naquela noite, percebeu que o cheiro desagradável também podia ser sentido perto da garagem.

Ao encontrar um vizinho do outro lado da rua, comentou:

— Você sabe o que estão guardando naquela casa?

O homem balançou a cabeça.

— Não faço ideia. Mas também senti aquele cheiro.

Nos dias seguintes, outros moradores começaram a reclamar.

Alguns ficaram preocupados com a possibilidade de existir algum problema químico ou de armazenamento.

As suspeitas cresceram rapidamente.

E, como ninguém sabia explicar a origem do odor, a situação acabou sendo comunicada às autoridades.

Erika também estava assustada.

O cheiro havia aumentado, e Vicente não aparecera conforme prometido.

Ela telefonou novamente.

— Doutor, preciso que venha retirar essas caixas.

— Estou tentando resolver tudo.

— O cheiro está entrando na minha casa.

A voz dele ficou séria.

— Erika, não abra aquele escritório.

Ela permaneceu imóvel.

— Por quê?

— Alguns materiais antigos podem estar deteriorados. Espere por mim.

— O senhor me disse que eram apenas documentos.

Vicente não respondeu imediatamente.

— Eu explicarei quando chegar.

A ligação terminou.

Erika olhou para a porta trancada.

Pela primeira vez, sentiu medo do que poderia existir ali.

Na manhã seguinte, uma equipe de emergência compareceu à residência para avaliar a origem do odor.

Erika explicou a situação e autorizou a entrada.

Uma investigadora chamada Camila Rocha, de quarenta e dois anos, acompanhava a ocorrência porque havia dúvidas sobre a natureza do material armazenado.

Camila ouviu atentamente o relato.

— A senhora sabe exatamente o que existe naquele cômodo?

— Não. Um conhecido da família guardou algumas caixas.

— Ele forneceu alguma relação dos materiais?

— Não.

A investigadora anotou a informação.

Com os cuidados necessários, a equipe conseguiu acessar o antigo escritório.

Havia caixas empilhadas junto às paredes.

Algumas apresentavam sinais de umidade.

O cheiro parecia vir de uma área próxima ao fundo do cômodo.

Enquanto os profissionais examinavam o ambiente, Camila percebeu algo estranho.

A grande estante de madeira não estava perfeitamente alinhada com a parede.

Havia marcas no piso, como se o móvel tivesse sido deslocado repetidamente.

Ela iluminou a parte inferior.

— Erika, essa estante sempre ficou aqui?

— Desde que me mudei.

— Alguém costuma movimentá-la?

— Não que eu saiba.

Camila chamou a atenção dos demais profissionais.

Depois de verificarem que poderiam examinar aquela área com segurança, afastaram cuidadosamente o móvel.

Erika levou a mão à boca.

Atrás da estante havia uma estrutura metálica embutida na parede.

Não parecia fazer parte de uma instalação elétrica comum.

Havia uma fechadura e uma pequena placa quase apagada.

Camila aproximou a lanterna.

Na superfície, alguns caracteres ainda podiam ser identificados.

E-17.

A investigadora olhou para Erika.

— A senhora sabe o que significa esse código?

Erika balançou a cabeça.

— Nunca vi isso na minha vida.

Camila examinou a porta escondida.

Era evidente que alguém havia preparado aquele espaço para permanecer fora da vista.

A jovem tentou telefonar para Vicente.

A chamada não foi atendida.

Ligou novamente para Marta.

Quando contou o que haviam encontrado atrás da estante, a mãe permaneceu em silêncio.

— Mãe? Você está aí?

A resposta veio quase como um sussurro.

— Erika... o que exatamente eles encontraram?

— Uma porta escondida. Tem um código escrito nela.

Marta pareceu perder o fôlego.

— Qual código?

Erika olhou para a placa.

— E-17.

Do outro lado da linha, ouviu a mãe começar a chorar.

— Mãe, o que está acontecendo?

Marta demorou alguns segundos para responder.

Então disse:

— Minha filha, existe uma coisa sobre essa casa que eu deveria ter contado há muitos anos.

Antes que Erika pudesse fazer outra pergunta, Camila anunciou que a equipe havia encontrado uma maneira de examinar o acesso oculto.

A investigadora voltou-se para a jovem.

— Erika, precisamos entender o que existe atrás dessa porta.

Erika observou a entrada escondida.

Depois olhou para o telefone, ainda conectado à chamada com Marta.

Naquele instante, compreendeu que as caixas misteriosas, o comportamento de Vicente e o medo de sua própria mãe talvez estivessem ligados ao mesmo segredo.

E, quando a porta metálica começou a se abrir, Erika percebeu que estava prestes a descobrir algo que ninguém jamais lhe contara sobre sua própria vida.

PARTE 2 — As Fotografias de Quarenta Anos Atrás

Quando a porta escondida atrás da estante finalmente se abriu, Erika sentiu um frio percorrer seu corpo.

A investigadora Camila Rocha iluminou a passagem com uma lanterna.

Do outro lado havia um pequeno corredor, completamente escuro.

As paredes eram de concreto e o chão estava coberto por uma fina camada de poeira.

— Você realmente não sabia que isso existia? — perguntou Camila.

Erika balançou a cabeça.

— Moro nesta casa há quase cinco anos. Nunca imaginei que houvesse outro cômodo.

Camila pediu que ela permanecesse afastada enquanto a equipe verificava as condições do local.

O cheiro desagradável parecia vir de uma área próxima, onde a umidade havia danificado parte dos materiais armazenados.

Quando os profissionais confirmaram que poderiam avançar com segurança, Camila entrou no corredor.

Erika observava da entrada.

Segundos depois, a investigadora parou diante de uma segunda porta.

— Tem alguma coisa aqui.

Ao abri-la, encontrou uma sala repleta de armários, caixas e fotografias.

Centenas de fotografias.

Mas não foi a quantidade de imagens que a deixou impressionada.

Foi o rosto da mulher que aparecia nelas.

Era Erika.

Pelo menos, era exatamente isso que parecia.

Camila aproximou a lanterna de uma das paredes.

Havia fotografias organizadas em fileiras, algumas coloridas e outras em preto e branco.

Em todas aparecia uma mulher com características extraordinariamente semelhantes às de Erika.

O mesmo formato de rosto.

Os mesmos olhos.

O mesmo sorriso discreto.

A investigadora examinou uma das imagens.

A mulher estava diante de um antigo prédio de pesquisas.

Na parte inferior havia uma inscrição:

1982 — REGISTRO E-17.

Camila ficou imóvel.

Aquela fotografia parecia ter sido tirada quarenta e quatro anos antes.

Mas Erika tinha apenas trinta e um.

— Erika, preciso que venha observar uma coisa — chamou a investigadora.

A jovem se aproximou cuidadosamente, depois de receber autorização.

Quando viu a fotografia, levou a mão à boca.

— Meu Deus...

Camila apontou para o rosto.

— Você conhece essa mulher?

Erika demorou a responder.

— Ela parece comigo.

— É alguém da sua família?

— Não sei.

A investigadora mostrou outra fotografia.

A data indicada era 1987.

Depois uma terceira, identificada como 1993.

Em todas, a mulher apresentava uma aparência praticamente idêntica.

Erika sentiu as pernas enfraquecerem.

— Isso não faz sentido.

Camila manteve a calma.

— Ainda precisamos confirmar quando essas imagens foram produzidas. Uma data escrita numa fotografia não significa necessariamente que ela tenha sido tirada naquele ano.

Mas havia algo inquietante naquele lugar.

Alguém havia reunido dezenas de imagens da mesma mulher, organizadas ao longo de várias décadas.

E aquele rosto era praticamente igual ao de Erika.

A investigação da residência passou a exigir uma avaliação mais cuidadosa.

Camila comunicou a descoberta aos responsáveis e providenciou a preservação dos documentos.

Erika autorizou o exame inicial do espaço, mas a polícia também precisaria seguir os procedimentos legais adequados para qualquer investigação mais ampla.

A jovem estava completamente confusa.

— Quero falar com Vicente — disse.

Pegou o telefone e ligou novamente.

Nenhuma resposta.

Tentou enviar uma mensagem.

“Encontraram uma sala escondida atrás da estante. Preciso que você me explique o que está acontecendo.”

A mensagem foi entregue.

Mas Vicente não respondeu.

Erika olhou para Camila.

— Ele colocou aquelas caixas aqui. Tenho certeza de que sabe alguma coisa.

— Vamos tentar localizá-lo — respondeu a investigadora.

Enquanto isso, os profissionais encontraram uma área onde parte do sistema de armazenamento havia sido danificada pela umidade.

Algumas embalagens estavam deterioradas, explicando o odor que havia preocupado os vizinhos.

Mas a descoberta das fotografias transformara uma ocorrência inicialmente relacionada às condições do imóvel em algo muito mais complexo.

Naquela tarde, Marta chegou à residência.

Assim que viu os policiais, procurou a filha.

— Erika!

As duas se abraçaram.

— Mãe, preciso que você seja sincera comigo.

Marta observou a entrada escondida.

Seu rosto perdeu a cor.

— Eles abriram?

— Abriram. E encontraram fotografias de uma mulher igual a mim.

Marta levou a mão ao peito.

Erika percebeu que ela não parecia surpresa.

— Você sabia da existência daquela sala?

A mãe permaneceu em silêncio.

— Marta, por favor!

Finalmente, a mulher respondeu:

— Eu sabia que havia uma passagem atrás daquela estante.

Erika se afastou lentamente.

— E nunca me contou?

— Não imaginava que Vicente ainda estivesse usando aquele espaço.

— Então você sabia que ele guardava coisas aqui?

Marta começou a chorar.

— Conheço Vicente há muitos anos. Antes de você nascer, ele já trabalhava em um projeto muito importante.

— Que projeto?

Marta desviou o olhar.

— Não conheço todos os detalhes.

Erika sentiu a voz tremer.

— Mãe, estou olhando para fotografias que parecem mostrar meu rosto antes mesmo de eu existir. Você precisa me explicar alguma coisa!

Marta segurou suas mãos.

— Existe uma parte da sua história que nunca consegui contar.

As duas foram para a sala.

Camila permaneceu por perto, respeitando a conversa.

Marta respirou profundamente.

— Erika, você sabe que eu a adotei quando era bebê.

— Claro que sei.

— Mas nunca lhe contei exatamente como conheci Vicente.

Erika ficou em silêncio.

— Em 1995, eu trabalhava na administração de uma instituição particular ligada à pesquisa científica. Vicente fazia parte da equipe.

— O que isso tem a ver comigo?

— Foi por meio de pessoas ligadas àquela instituição que soube da possibilidade de cuidar de você.

Erika franziu a testa.

— Você sempre disse que minha família biológica não podia me criar.

— Foi isso que me informaram.

— E você acreditou?

Marta baixou a cabeça.

— Naquela época, não tinha motivos para imaginar que existia algo errado.

Erika respirou fundo.

— Você sabe quem é minha mãe biológica?

Os olhos de Marta se encheram de lágrimas.

— Não tenho uma resposta que possa lhe dar com segurança.

A jovem ficou imóvel.

Durante toda a vida, soubera que era adotada.

Mas nunca havia desconfiado que sua origem pudesse estar relacionada a um laboratório.

— E Vicente? — perguntou.

Marta respondeu baixinho:

— Ele sempre soube mais do que eu.

Nos dias seguintes, Camila começou a reunir informações sobre o antigo centro de pesquisas.

Os documentos encontrados na residência mencionavam uma instituição chamada Instituto Vértice.

Ela havia funcionado durante décadas, mas encerrara suas atividades muitos anos antes.

Vicente Salgado aparecia em antigos registros como integrante da equipe científica.

Outros nomes estavam incompletos.

Alguns documentos utilizavam códigos em vez de identificações pessoais.

Um deles aparecia repetidamente.

E-17.

Camila também encontrou referências a diferentes fases de um projeto que não constava nos resumos públicos da instituição.

Mas ainda não era possível determinar sua finalidade.

As fotografias começaram a ser examinadas.

Algumas pareciam antigas.

Outras eram reproduções mais recentes.

Os especialistas advertiram que as datas impressas poderiam corresponder à organização dos arquivos, e não necessariamente ao momento em que cada imagem fora capturada.

Mesmo assim, a semelhança entre as mulheres retratadas era impressionante.

Camila decidiu não tirar conclusões precipitadas.

Uma semelhança física, por extraordinária que parecesse, não provava que aquelas imagens mostrassem a mesma pessoa.

Enquanto a polícia investigava, Erika tentou continuar trabalhando.

Mas sua rotina havia mudado completamente.

Na academia, Rafael percebeu que ela estava distraída.

— Você não precisa estar aqui se quiser descansar — disse.

Erika sentou-se em um banco.

— Descobriram coisas estranhas na minha casa.

— Que tipo de coisas?

Ela hesitou.

— Fotografias antigas. De uma mulher que parece comigo.

Rafael a observou.

— Talvez seja alguma parente sua.

— É o que eu gostaria de acreditar.

Ele se sentou ao lado dela.

— Você está com medo?

Erika demorou a responder.

— Estou com medo de descobrir que algumas coisas que sempre acreditei sobre minha vida não são verdadeiras.

Rafael não tentou convencê-la de que tudo ficaria bem.

Apenas respondeu:

— Seja qual for a explicação, você continua sendo a mesma pessoa que conheço.

Erika sorriu discretamente.

Pela primeira vez naquele dia, sentiu algum conforto.

Três dias depois, Camila recebeu uma informação importante.

Vicente havia sido localizado.

O cientista compareceu para prestar esclarecimentos acompanhado de um advogado.

Confirmou que parte dos materiais encontrados pertencia ao antigo Instituto Vértice.

Mas insistiu que os arquivos tinham apenas valor histórico.

— Por que estavam escondidos na casa de Erika? — perguntou Camila.

Vicente ajeitou os óculos.

— A instituição encerrou suas atividades. Eu tentei preservar determinados documentos.

— Sem explicar à proprietária o que estava guardando?

Ele permaneceu em silêncio.

Camila colocou sobre a mesa uma fotografia identificada como E-17.

— Quem é esta mulher?

Vicente observou a imagem.

Por alguns segundos, sua expressão mudou.

— É uma fotografia muito antiga.

— Não foi isso que perguntei.

O cientista desviou o olhar.

— Preciso consultar meus registros antes de responder.

Camila percebeu que ele estava evitando uma resposta direta.

— E qual é a relação dela com Erika?

Vicente apertou as mãos.

— Existem informações que precisam ser analisadas com responsabilidade.

— Então comece explicando por que esses documentos estavam escondidos.

O homem não respondeu.

Naquela noite, Camila voltou a examinar o inventário dos materiais encontrados.

Entre os registros havia referências a equipamentos que ainda não tinham sido localizados.

Alguns documentos mencionavam uma área denominada Setor Quatro.

Mas nenhuma planta conhecida da residência mostrava outro cômodo além daquele já descoberto.

A investigadora pediu uma nova avaliação da estrutura.

Foi então que um dos profissionais percebeu uma irregularidade na parede dos fundos da sala secreta.

A superfície parecia diferente do restante.

Atrás de um armário metálico havia marcas de uma instalação antiga.

Camila solicitou que verificassem a estrutura sem danificá-la indevidamente.

O exame identificou um segundo acesso oculto.

Aquela descoberta deixou Erika profundamente inquieta.

— Existe outra sala?

— Parece que sim — respondeu Camila.

— O que tem lá dentro?

— Ainda não sabemos.

Com as autorizações e precauções necessárias, a equipe conseguiu abrir o acesso.

A porta era mais pesada do que a primeira.

Atrás dela havia um pequeno corredor que terminava diante de uma estrutura metálica.

O ambiente possuía instalações antigas de energia e ventilação.

Parecia ter sido construído para uma finalidade muito diferente de um depósito comum.

Camila aproximou a lanterna.

Sobre a entrada havia uma placa parcialmente coberta de poeira.

A investigadora limpou cuidadosamente sua superfície.

E leu as palavras gravadas no metal.

PROJETO ERIKA — FASE 04.

Erika ficou paralisada.

Seu nome estava escrito na entrada de uma instalação escondida dentro de sua própria casa.

— Por que meu nome está aí? — perguntou, quase sem voz.

Marta levou as mãos ao rosto.

Camila observou a porta, depois olhou para a jovem.

Aquela descoberta tornava evidente que a ligação entre Erika e os antigos arquivos era muito mais direta do que Vicente havia admitido.

Mas o que encontrariam dentro ainda permanecia desconhecido.

Então, enquanto os profissionais avaliavam como prosseguir, o telefone de Erika vibrou.

Era uma mensagem de Vicente.

“Erika, se encontraram a entrada do Setor Quatro, não permita que ninguém destrua os arquivos. Existe algo sobre seu nascimento que você precisa saber. Eu deveria ter contado a verdade há muitos anos.”

Erika leu a mensagem duas vezes.

Depois levantou os olhos para a porta metálica.

Havia fotografias com seu rosto datadas de décadas antes de seu nascimento, um cientista que parecia conhecer sua origem e uma instalação secreta identificada com seu próprio nome.

E agora ela estava prestes a descobrir por que tantas pessoas haviam escondido a verdade durante trinta e um anos.

PARTE 3 — A Verdade Sobre o Projeto Erika

Quando Erika leu a mensagem de Vicente, sentiu que o chão desaparecia sob seus pés.

“Existe algo sobre seu nascimento que você precisa saber. Eu deveria ter contado a verdade há muitos anos.”

Diante dela estava a entrada de uma instalação secreta, escondida dentro da própria casa.

Na placa metálica, quatro palavras pareciam desafiar tudo o que conhecia sobre sua vida.

PROJETO ERIKA — FASE 04.

A investigadora Camila Rocha observou a jovem.

— Erika, você não precisa acompanhar esta etapa. Podemos informar o que for encontrado depois.

Erika respirou profundamente.

— Passei trinta e um anos sem saber o que realmente aconteceu comigo. Não quero continuar no escuro.

Camila assentiu, mas pediu que ela aguardasse enquanto os profissionais verificavam o ambiente.

Quando a porta finalmente se abriu, as lanternas iluminaram uma sala que parecia ter permanecido escondida durante décadas.

Havia equipamentos científicos antigos, computadores desligados e armários metálicos.

No centro, uma grande mesa estava coberta por documentos.

Mas o que mais chamou a atenção de Camila foi uma sequência de pastas organizadas por datas.

1982\. 1993. 1995. 2026.

A última pasta tinha o nome completo de Erika.

E, logo abaixo, uma observação:

“ACOMPANHAMENTO DO INDIVÍDUO R-04 — EM ANDAMENTO.”

Erika sentiu um arrepio.

— Acompanhamento? — murmurou. — Estavam me observando?

Ninguém respondeu.

Mas aquela pergunta seria apenas a primeira de muitas.

Os documentos encontrados na instalação foram preservados para análise.

A polícia não pretendia divulgar conclusões baseadas apenas em fotografias, códigos ou equipamentos antigos.

Entretanto, os primeiros registros confirmaram uma ligação direta entre o local e o Instituto Vértice.

A casa havia pertencido à família de Marta, mas décadas antes uma parte do imóvel fora cedida ao instituto para atividades de pesquisa.

Quando o projeto terminou, os espaços foram fechados e permaneceram ocultos atrás das reformas realizadas na residência.

Vicente conhecia aquela instalação desde a juventude.

E havia utilizado o lugar novamente para guardar documentos que estavam sendo retirados de antigos depósitos do instituto.

Isso explicava as caixas que chegavam durante a madrugada.

Mas não explicava por que tantas fotografias de uma mulher idêntica a Erika estavam guardadas ali.

Nem por que os arquivos indicavam que alguém continuava acompanhando sua vida em 2026.

Na manhã seguinte, Vicente compareceu novamente para prestar esclarecimentos.

Dessa vez, Camila colocou diante dele três fotografias.

A primeira estava identificada como 1982.

A segunda, 1993.

A terceira havia sido tirada recentemente.

— Quem é esta mulher? — perguntou a investigadora, apontando para a fotografia mais antiga.

Vicente permaneceu em silêncio.

— Doutor Vicente, temos documentos que relacionam essas imagens a um projeto de pesquisa. Precisamos de uma explicação.

O cientista retirou os óculos.

Parecia ter envelhecido vários anos desde a última conversa.

— O nome dela era Elisa Vasconcelos.

Camila consultou suas anotações.

— Quem foi Elisa?

— Uma das primeiras participantes de um programa experimental iniciado em 1982.

— E qual era o objetivo?

Vicente fechou os olhos.

— Estudar a reprodução de características biológicas a partir de material genético preservado.

A investigadora permaneceu imóvel.

— Está dizendo que o instituto realizava pesquisas de clonagem?

O cientista demorou a responder.

— Sim. Mas não da maneira como as pessoas imaginam.

Camila colocou a fotografia de Erika ao lado da imagem de Elisa.

— Então explique por que elas são tão parecidas.

Vicente olhou para as duas mulheres.

E pronunciou a frase que mudaria para sempre a vida de Erika.

— Porque, segundo os registros do projeto, Erika foi criada a partir do material genético de Elisa.

Quando Camila contou à jovem o que Vicente havia declarado, Erika acreditou que tinha entendido errado.

— Criada como?

A investigadora falou cuidadosamente.

— Os documentos descrevem um experimento de replicação genética. Ainda precisamos verificar a autenticidade dos registros e a ligação deles com você.

Erika olhou para Marta.

Sua mãe adotiva estava sentada ao lado dela, completamente abalada.

— Mãe, você sabia disso?

Marta começou a chorar.

— Não, minha filha. Eu juro que não sabia.

— Mas você trabalhou naquele instituto.

— Na administração. Eu sabia que existiam pesquisas confidenciais, mas ninguém me explicou algo assim.

Erika se levantou.

Durante toda a vida, acreditara que havia nascido de uma mulher cuja identidade não conhecia.

Sabia que era adotada.

Mas nunca imaginara que sua origem pudesse estar ligada a um experimento secreto.

— Então quem eu sou? — perguntou.

Marta tentou se aproximar.

— Erika...

— Eu sou uma pessoa ou apenas alguma coisa que eles criaram?

A mãe segurou delicadamente suas mãos.

— Você é minha filha. É uma pessoa com sua própria história, seus sonhos e suas escolhas. Nenhum documento pode tirar isso de você.

Erika começou a chorar.

Pela primeira vez, não sabia se queria descobrir mais alguma coisa.

Nas semanas seguintes, uma equipe independente examinou os arquivos recuperados.

O material descrevia um programa de biotecnologia extremamente avançado, pertencente ao universo científico daquele projeto secreto.

Os registros foram confrontados com outros documentos institucionais e análises especializadas.

Dentro daquela extraordinária história, as evidências acabaram sustentando a revelação de Vicente.

Elisa Vasconcelos havia participado das primeiras pesquisas do Instituto Vértice.

Mas os documentos mostravam que ela não autorizara a utilização posterior de seu material para produzir outra pessoa.

Em 1995, dois anos depois dos últimos registros conhecidos de Elisa no projeto, nasceu Erika.

Sua existência fora escondida dos registros públicos da instituição.

Vicente explicou que, após o encerramento da pesquisa, o instituto procurara alguém que pudesse criar a menina longe daquele ambiente.

Marta trabalhava na administração e desejava adotar uma criança.

Recebeu a oportunidade sem conhecer toda a história.

Os documentos legais da adoção haviam sido processados, mas informações fundamentais sobre a origem da criança foram omitidas.

— Eu pensei que estava oferecendo um lar a uma menina que precisava de uma família — explicou Marta.

Erika permaneceu sentada ao lado dela.

Depois perguntou:

— E por que Vicente nunca contou a verdade?

A resposta surgiria nos documentos encontrados atrás da última parede.

No fundo da instalação secreta havia um armário que permanecera fechado.

Depois de sua abertura autorizada, Camila encontrou uma sequência de relatórios mais recentes.

Um deles havia sido atualizado naquele mesmo ano.

2026\.

O arquivo continha informações sobre a rotina de Erika.

Seu trabalho na academia.

Os lugares que frequentava.

Fotografias feitas sem seu conhecimento.

E observações sobre seu desempenho físico.

Erika sentiu o rosto perder a cor.

— Estavam me seguindo?

Camila examinou o relatório.

— Precisamos identificar quem reuniu essas informações.

Mas outra página trouxe uma resposta perturbadora.

O acompanhamento havia sido coordenado por Vicente.

Mesmo depois de o projeto ter sido oficialmente encerrado.

Mesmo depois de Erika ter se tornado adulta.

O cientista continuara observando sua vida sem lhe contar a verdade.

A jovem se lembrou das pessoas que tentavam fotografá-la na academia.

Das brincadeiras sobre sua força.

Das conversas estranhas com Vicente.

Alguns daqueles episódios talvez fossem apenas atitudes inconvenientes de desconhecidos.

Mas agora existiam provas de que pelo menos parte de sua rotina havia sido monitorada deliberadamente.

Não porque Erika tivesse alguma capacidade sobrenatural.

Nem porque fosse imortal.

Sua força vinha também de anos de treinamento.

E as histórias de que nunca adoecia eram exageros de pessoas que mal a conheciam.

O verdadeiro segredo estava na tentativa de acompanhar sua vida como se ela ainda pertencesse a um experimento.

Quando Vicente foi confrontado com os relatórios, não conseguiu negar sua participação.

— Eu queria garantir que ela estivesse bem — afirmou.

Camila manteve a expressão séria.

— Então por que não contou a verdade?

— Tive medo.

— Medo de quê?

— De que os responsáveis pelo antigo projeto tentassem recuperar os arquivos. De que a história destruísse a vida dela.

A investigadora apontou para os relatórios.

— Mas o senhor continuou registrando informações pessoais sem seu consentimento.

Vicente baixou a cabeça.

— Eu sei.

— E manteve uma instalação escondida na residência dela.

— Queria preservar os documentos.

— Poderia tê-los encaminhado às autoridades.

O cientista permaneceu em silêncio.

Camila continuou:

— O senhor não pode justificar décadas de omissões dizendo que pretendia protegê-la.

Vicente não respondeu.

Porque sabia que era verdade.

Sua intenção de preservar os arquivos não apagava sua responsabilidade por esconder informações e participar de práticas que haviam desrespeitado a autonomia de Erika.

A investigação ganhou repercussão quando a existência do antigo Instituto Vértice e de seus registros secretos chegou à imprensa.

As autoridades apuraram possíveis violações éticas, irregularidades documentais e o uso indevido de informações pessoais.

Vicente passou a responder pelos fatos que podiam ser atribuídos a sua participação.

A apuração também procurou identificar outras pessoas envolvidas no programa original.

Erika, entretanto, recusou-se a transformar sua vida em espetáculo.

Quando Inés, uma jornalista interessada no caso, solicitou uma entrevista, ela decidiu falar apenas sobre aquilo que desejava tornar público.

— As pessoas querem saber se você é igual à mulher das fotografias — perguntou a repórter.

Erika respondeu calmamente:

— Não sou aquela mulher. O nome dela era Elisa. Eu tenho minha própria vida.

— E sua força física?

— Sou instrutora, treino há anos e trabalho muito para fazer o que faço. Não quero que usem minha origem para inventar coisas sobre mim.

A jornalista assentiu.

— O que espera daqui para a frente?

Erika olhou para Marta, que a acompanhava.

— Quero conhecer minha história. Mas também quero continuar tendo o direito de escolher meu futuro.

Algumas semanas depois, Erika voltou à academia.

Rafael a recebeu na entrada.

— Como você está?

Ela respirou profundamente.

— Ainda tentando entender muitas coisas.

— Imagino.

Erika observou as pessoas treinando.

Por muito tempo, aquele lugar havia sido o espaço onde se sentia mais livre.

Agora tinha receio de que todos a enxergassem apenas como a mulher ligada a um projeto científico misterioso.

— Rafael, você acha que as pessoas vão me tratar de maneira diferente?

Ele respondeu:

— Algumas talvez tentem. Mas aqui você continua sendo Erika, nossa instrutora.

Ela sorriu.

Naquele dia, não tentou levantar mais peso do que antes.

Não quis demonstrar força extraordinária.

Apenas retomou uma parte da rotina que gostava de ter.

E aquilo significou muito.

Meses depois, Erika e Marta visitaram a antiga casa.

A instalação escondida permanecia isolada para os procedimentos necessários.

Os arquivos haviam sido transferidos para locais adequados, e as condições de armazenamento que provocaram o cheiro desagradável foram corrigidas.

Erika caminhou até o jardim.

— Mãe, você se arrepende de ter me adotado?

Marta virou-se imediatamente.

— Nunca.

— Mesmo depois de tudo?

A mulher se aproximou.

— Minha maior tristeza é não ter procurado respostas antes. Mas criar você foi uma das decisões mais importantes da minha vida.

Erika abraçou a mãe.

Durante semanas, havia sentido que sua identidade estava escondida em fotografias, códigos e relatórios.

Agora começava a compreender algo.

A descoberta de sua origem fazia parte de sua história.

Mas não resumia quem ela era.

O passado podia explicar algumas perguntas.

Não precisava decidir todo o seu futuro.

Naquela noite, Erika abriu uma caixa de fotografias pessoais.

Havia imagens de sua infância com Marta.

Seu primeiro dia de aula.

Sua formatura.

As primeiras competições esportivas.

E fotografias recentes com amigos.

Nenhuma delas tinha códigos científicos.

Nenhuma estava identificada como uma fase experimental.

Eram simplesmente lembranças de sua vida.

Erika encontrou uma fotografia antiga em que aparecia abraçada à mãe, sorrindo diante de um bolo de aniversário.

No verso, Marta havia escrito:

“Para minha filha Erika, que sempre terá o direito de construir sua própria história.”

A jovem segurou a imagem contra o peito.

Pela primeira vez desde a descoberta, sorriu sem medo.

Durante quarenta e quatro anos, o segredo do Instituto Vértice havia permanecido escondido entre paredes, documentos e fotografias.

Mas o que mais assustou Erika não foi descobrir sua ligação com uma mulher de 1982. Foi saber que outras pessoas haviam acompanhado sua vida durante décadas sem permitir que ela conhecesse a verdade.

Agora, finalmente, essa escolha pertencia a ela.

E nenhuma experiência científica poderia definir o valor de sua existência.

FIM.

E você, acha que Erika deveria perdoar Vicente por esconder a verdade durante tantos anos, ou o que ele fez foi uma traição impossível de justificar? Conte sua opinião nos comentários!

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